Tendinite e Tendinopatia do Quadríceps

INTRODUÇÃO

O quadríceps é o maior músculo do corpo humano e está localizado na face anterior da coxa. Sendo um dos principais responsáveis pelos movimentos de extensão e flexão dos membros inferiores, possui como uma de suas terminações uma inserção na patela (no joelho) por meio de tendão.

Problemas de alinhamento ou sobrecarga podem ocasionar tensões, irritações ou lesões no músculo e/ou tendão do quadríceps, produzindo dor, fraqueza, e inchaço no joelho.

Essa patologia é muito comum em atletas profissionais e amadores, principalmente naqueles que excedem o limite do seu corpo na prática esportiva.

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TENDINITE, TENDINOPATIA OU TENDINOSE DO QUADRÍCEPS?

O que é a tendinite?

O nome tendinite significa “inflamação” do tendão, na verdade o que ocorre na maioria dos casos é uma inflamação ao redor do tendão. Chamamos essa inflamação de tenossinovite, pois ela provoca uma inflamação na bainha do tendão. A tendinite é provocada pelo uso excessivo do tendão ou ainda por posição inadequada ao realizar os movimentos. Na inflamação aguda, nos exames de imagem, algumas vezes observa-se edema (inchaço) dentro do tendão.

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O que é a tendinopatia?

A tendinopatia significa “doença” do tendão. Nesse quadro, a inflamação não é o fator preponderante, como na tendinite, mas além desse fator ocorre uma degeneração do colágeno das fibras tendíneas. Ou seja, a tendinite é um processo eminentemente inflamatório, enquanto que a tendinopatia representa um quadro degenerativo do tendão.

O tendão doente surge quando o paciente permanece com uma inflamação crônica na região durante muito tempo. O quadro inicial de dor ou de desconforto no tendão, com o passar do tempo, provoca doença na estrutura do tendão que fica mais fraco e sujeito a uma ruptura com pequeno esforço.

Falando de forma mais simplificada, quando a tendinite torna-se crônica, esta evolui para um quadro de tendinopatia. Lesões tendinosas crônicas são mais comuns em atletas acima dos quarenta anos.

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E a tendinose?

O termo é habitualmente usado na descrição dos exames de imagem principalmente da ressonância magnética das articulações. Poderíamos definir tendinose como o aspecto relacionado à imagem da tendinopatia. Quando o radiologista descreve um tendão como tendo tendinose ele quer dizer que esse tendão apresenta características estruturais diferentes das do tendão sadio.

ANATOMIA DO QUADRÍCEPS

O que o músculo/tendão quadríceps faz?

A patela é o osso móvel na parte anterior do joelho. Este osso único é envolvido pelo tendão que conecta o grande músculo anterior da coxa, o quadríceps, com a perna (na tíbia).

O quadríceps termina em um tendão que se insere na tuberosidade anterior da tíbia. O tendão quadríceps e a patela formam o mecanismo extensor do joelho. Ele é composto pelo tendão quadríceps sobre a patela e o tendão patelar abaixo da mesma. A contração muscular quadriciptal puxa o mecanismo extensor, causando a extensão do joelho (a perna levanta). A patela atua como um fulcro para aumentar a força muscular.

Os ossos longos do fêmur e tíbia atuam como braços de alavanca sobre o joelho e tecidos adjacentes. Por exemplo, as forças de reação no membro inferior são duas a três vezes o peso corporal durante o caminhar e até cinco vezes quando correndo.

Visão Frontal

Visão Lateral

CAUSAS DA LESÃO

O que desenvolve esta condição?

A lesão no tendão do quadríceps ocorre geralmente como resultado de estresses nas estruturas de suporte do joelho. Correr, pular, arrancadas e paradas abruptas contribuem para esta condição. Lesões por excesso em atividades esportivas são as causas mais comuns, mas qualquer um pode ser afetado, mesmo aqueles sedentários.

Estes são os fatores externos relacionados com as lesões causadas por excessos. Os quais incluem: calçados inapropriados, erros de treinamento (frequência, intensidade, duração) ou piso duro. Aumentar a carga de treinamento excessivamente é a principal causa de lesão do quadríceps.

Fatores internos como idade, flexibilidade, flacidez articular são igualmente importantes. Mau alinhamento dos pés, tornozelos e pernas podem desempenhar papel na tendinite.

A força do tendão patelar é diretamente proporcional ao número de fibras colágenas que o compõem. Sobrecarga nada mais é que o desequilíbrio entre as forças de carga, estresse no tendão ou na capacidade do mesmo em distribuí-la. Se a força aplicada sobre o tendão for maior que a força da estrutura, então uma inflamação e posteriormente uma lesão ocorrerá.

Microtraumas de repetição na junção entre o tendão e o músculo acarretarão na diminuição da capacidade do tendão se regenerar. A ruptura do tecido ocorre gerando inflamação tecidual levando à tendinite e a lesões parciais.

Reforçando o que já foi explanado anteriormente, caso o quadro inflamatório de tendinite se mantenha por muito tempo, as fibras de colágeno que compõem o tendão sofrem alterações, podendo se transformar num quadro crônico.

SINTOMAS

A dor na lesão do tendão do quadríceps ocorre logo sobre a patela. Ela é mais notada quando se movimenta o joelho. Quanto mais você movimentar o joelho, mais inflamação desenvolverá na inserção do tendão na patela.

Inchaço, sensibilidade aumentada, calor local e dor podem ser sentidos dentro e ao redor do tendão. A dor pode ser mediana ou forte suficiente para interromper a prática esportiva. Outro sintoma comum é a rigidez articular do joelho.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico começa com uma história clínica e o exame físico. Normalmente há uma rigidez dos tecidos inflamados na inserção do tendão no osso da patela. O joelho deve ser avaliado quanto à amplitude de movimentos, força muscular, flexibilidade e estabilidade articular.

O medico irá buscar fatores internos ou externos, principalmente mudanças nos treinamentos e alterações de alinhamento do membro inferior. A presença de rupturas palpáveis, fraqueza do mecanismo extensor podem ser indicadores de necessidade cirúrgica.

Ao exame de Raios-X pode-se ver fraturas ou presença de calcificações no músculo quadríceps, porem o exame de Raios-X não mostra lesões de partes moles. Neste caso uma ressonância nuclear magnética, ou exame de ultrassonografia detectam rupturas tendinosas.

TRATAMENTO

Nos casos agudos, inicialmente diminui-se a inflamação tecidual através de repouso relativo e a receita de anti-inflamatórios, especialmente quando o problema for causado por excessos mecânicos.

Repouso relativo é um termo utilizado para descrever um processo de reabilitação baseado no repouso das atividades que desencadeiam a dor. Dor ao repouso significa repouso estrito e imobilização. Quando a dor não estiver presente ao repouso, um aumento gradual na atividade é permitido na medida em que a dor não retorna.

A fisioterapia pode ser útil nos estágios iniciais, diminuindo a inflamação e a dor. Seu terapeuta deverá usar gelo, massagens, estimulação elétrica, ultrassom para limitar a dor e diminuir o edema, exercícios de fortalecimento e alongamento para corrigir qualquer desequilíbrio muscular. Tensores para patela ajudam na diminuição da dor durante o exercício. A utilização de calçados apropriados para o esporte também é importante.

A prevenção de lesões futuras se dará pela educação do paciente, através da modificação dos fatores de risco.

Treinadores, preparadores físicos, fisioterapeutas devem trabalhar em conjunto na elaboração de um programa de treinamento, o qual permitirá um aumento no seu desempenho sem lesionar os joelhos.

Lembre-se sempre de aquecer e alongar antes dos treinamentos, assim como desaquecimento e alongamento após o treino. Compressas geladas após o treinamento são indicadas quando tiver dor ou edema, não devendo ultrapassar trinta minutos. Devendo ser utilizada em casos crônicos.

CIRURGIA

Raramente se faz necessária, apenas quando o tratamento não cirúrgico falhar. Após a remoção do tecido lesionado e sutura das lesões, a cirurgia estimula a revascularização do tendão. A remodelação que ocorre após a cirurgia pode restaurar a sua função.

Procedimentos artroscópicos podem ser realizados de forma ambulatorial, e naqueles onde houver necessidade de intervenção óssea o paciente deverá permanecer internado.

REABILITAÇÃO

A lesão no tendão do quadríceps geralmente é autolimitada, ou seja, esta condição se resolverá com repouso, modificação de treinamentos e fisioterapia. A recorrência do problema é comum em pacientes que não conseguem deixar o tendão se recuperar totalmente, antes de retornar às suas atividades físicas.

A fisioterapia é habitualmente indicada por quatro a seis semanas, cujo objetivo é diminuir ou curar a dor, diminuir a inflamação, corrigir desequilíbrios musculares e melhorar a função do mecanismo extensor. Com um programa bem planejado, a maioria dos pacientes estará apta a retornar aos níveis anteriores de atividade, sem sintomas recorrentes.

No caso extremo de necessidade de cirurgia, imobilização e fisioterapia são imprescindíveis. Primeiramente serão úteis na prevenção da dor e edema pós-cirúrgicos. O fisioterapeuta irá prescrever exercícios que aumentem a amplitude de movimentos do joelho. A estimulação elétrica pode ser necessária para iniciar o retorno da contração muscular. À medida que a reabilitação evolui, diferentes exercícios são administrados para proporcionar um retorno da função e força musculares. A chave para o sucesso encontra-se no correto balanceamento da força e do alongamento muscular.

O objetivo do fisioterapeuta é auxiliá-lo no controle da dor e do edema, ao mesmo tempo em que melhora a amplitude de movimentos, a força e o alongamento musculares, até o retorno às atividades normais.

Fontes: movite.com.br  e  pesquisa individual

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