Por que a corrida pode trazer felicidade? Entenda qual é o papel dos hormônios

 Estudo de universidade canadense descobre que efeitos da recompensa provocados com o exercício são modulados não apenas pela endorfina, mas também pela leptina

 Por Lia Kubelka Back

A leptina é um hormônio produzido pelo tecido adiposo que também atua influenciando os mecanismos de saciedade e também a atividade física. O conhecido “barato” da corrida, a sensação de bem estar, liberdade e energia que os corredores experimentam parecem estar associadas não apenas com a liberação de endorfinas, mas por um mecanismo de recompensa ativado pela leptina.

Um estudo publicado essa semana na Cell Metabolism, realizado por pesquisadores da Universidade de Montreal, descobriu que os efeitos de recompensa provocados pela atividade aeróbica intensa são modulados também pela leptina. Além de modular a saciedade, ela também atua nos neurônios que produzem dopamina, um neurotransmissor produtor dessa sensação de bem estar.

Os níveis altos de leptina inibem a produção de dopamina, que é o neurotransmissor responsável pela sensação de recompensa. A dopamina promove as sensações de euforia e satisfação que sentimos depois de comer uma grande refeição ou após exercício aeróbico intenso.

Quanto mais gordura no corpo, mais leptina e menos atividade física. É como se o organismo sinalizasse que não precisamos correr em busca de alimentos. A motivação para a corrida associada aos níveis de leptina parece estar associada à busca por comida. Aumentar a resistência e os efeitos de recompensa de execução como uma adaptação são meios de reforçar a busca e aquisição de alimentos.

Pode parecer paradoxal, porém, que algo que faz com se sinta fome também nos faz querer correr mais e se sentir mais feliz ao fazê-lo. Mas a teoria faz sentido do ponto de vista evolutivo. Quando existiam os primeiros humanos, a comida era escassa e eles teriam de suportar longas caminhadas para encontrar mais. O “barato” do corredor pode ter evoluído para motivá-los a continuar, para assegurar que iriam receber a comida que eles precisavam.

No estudo, eles analisaram camundongos normais e outros sem a presença da molécula STAT3, que é estimulada por altas concentrações de leptina. Eles foram estimulados voluntariamente a correr e o que se verificou é que na ausência do STAT3, em que os níveis de leptina são mais baixos, os camundongos correram mais que o dobro dos animais que possuíam essa molécula e ainda se sentiram mais motivados. Existem variantes no gene que codifica o receptor de leptina LEPR, que sempre apresentaram importância para a análise de indivíduos com dificuldade de saciedade.

A partir desse estudo, essas variantes também passam a ser importantes para o entendimento do comportamento em relação à corrida e abrindo a possibilidade de individualização dos planos de exercício. Mais um fator para ser avaliado quando se quer um estímulo a mais para a prática do esporte e a melhora da performance.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/

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