Benefícios dos Exercícios Físicos Regulares e da Melhoria da Aptidão Física na Saúde de Adultos

Por Luciano Carlos Fernandes
Professor de Educação Física – CREF 6 / MG – 4812 G

A atividade física regular está associada a inúmeros benefícios para a saúde física e mental em homens e mulheres adultos.

A incidência do sedentarismo associado a uma alimentação extremamente calórica justificam o aumento da obesidade em todo o mundo. Junto com a obesidade surge uma série de complicações patológicas graves, tais como o aumento da resistência à insulina, hiperinsulinemia, diabetes mellitus, dislipidemia, hipertensão arterial, hipercoagulabilidade sanguínea e microalbuminúria, alterações constituintes da síndrome metabólica. Esta situação está associada a um aumento significativo da incidência de doença arterial coronária, cerebral e periférica.

O aumento da incidência de obesidade em todo o mundo é acompanhado por um aumento da morbilidade. Entre as medidas mais importantes para o combate da obesidade estão a dieta e o estabelecimento dos níveis adequados de exercícios físicos.

Estudos epidemiológicos mostram claramente que a atividade física regular protege a saúde. Todas as causas de mortalidade são reduzidas ao se praticar atividades físicas regulares. Isto também se evidencia quando um indivíduo aumenta seu nível de atividade física, passando de um estilo de vida sedentário ou um estilo de vida com níveis insuficientes de atividade física para um que incorpore os níveis de atividades físicas recomendados.

Exercício físicos reduzem o risco de desenvolvimento de doenças coronarianas, derrames, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer (por exemplo, cólon e câncer de mama).

Também se evidenciam níveis menores de pressão arterial em praticantes de atividades físicas regulares, melhores perfis de lipoproteínas, menores níveis de proteínas C-reativas e de marcadores CHD.

Muitos estudos defendem a utilização do exercício físico na prevenção e no tratamento dos fatores de risco para doenças cardiovasculares, entre elas as doenças coronárias. A prática de exercícios físicos pode alterar de forma positiva o metabolismo e a composição das lipoproteínas, reduzindo o risco de desenvolvimento destas doenças.

A prática de exercícios pode contribuir na prevenção dos fatores de risco para aterosclerose. Alguns estudos demonstram que o exercício também pode promover a diminuição do colesterol total e o aumento da lipoproteína HDL que têm antioxidantes.

O efeito agudo ou crônico do exercício aeróbio, tanto de baixa como de alta intensidade e duração, pode melhorar o perfil lipoproteico, estimulando o melhor funcionamento dos processos enzimáticos envolvidos no metabolismo lipídico favorecendo principalmente, aumentos dos níveis da HDL, assim como, modificando a composição química do LDL tornando-os menos aterogênicos.

A associação da dieta e perda de peso corporal ao exercício aeróbio parece ser fundamental para a obtenção de um bom perfil lipídico. Em alguns estudos, a melhora dos níveis de HDL dependeu da intervenção associada da perda de peso corporal.

Melhora-se também a sensibilidade à insulina e desempenham importante papel no controle do peso corporal. O exercício físico melhora os mecanismos moleculares envolvidos no aumento da captação de glicose muscular. Atualmente o exercício físico é considerado um grande aliado tanto do tratamento como da prevenção do diabetes tipo 2.

De particular relevância para os idosos, o exercício preserva a massa óssea e reduz o risco de quedas. Estudos observaram em idosos uma perda significativa de massa muscular e de níveis de força (sarcopenia), normalmente resultado da degeneração do sistema nervoso e da inatividade física, assim como decréscimo de massa óssea, podendo resultar em osteopenia e até osteoporose.

Situações preocupantes, que podem afetar o sistema neuromotor, aumentando seriamente os riscos de lesões, quedas e até fraturas, podendo levar á morbidades e até mortalidade.

O processo de envelhecimento humano pode ser influenciado positivamente pelos exercícios físicos, principalmente pelos exercícios resistidos. Os exercícios resistidos promovem um aumento ou manutenção da massa corporal magra, aumento dos níveis de força e aumento ou manutenção da densidade mineral óssea.

Além disso, os exercícios resistidos promovem melhora ou manutenção dos níveis de flexibilidade do praticante e nas ações coordenativas, favorecendo a realização das atividades diárias melhorando sua autonomia funcional. Isto resulta efetivamente numa melhora da auto estima e da qualidade de vida em idosos.

Prevenção e melhoria ligeira a moderada dos transtornos depressivos e de ansiedade podem ocorrer com o exercício. Diversos estudos apontam benefícios psicológicos da prática regular de atividades físicas. A prática regular de exercícios físicos aeróbios pode produzir efeitos antidepressivos e ansiolíticos e proteger o organismo dos efeitos prejudiciais do estresse na saúde física e mental.

Porém, estudos apontam que os exercícios aeróbios cuja intensidade não ultrapasse o limiar de lactato podem ser os mais apropriados para indivíduos com transtornos de ansiedades. Por exemplo, podem ocorrer relações entre o acúmulo de lactato e ataques de pânicos. As situações desconfortáveis do exercício intenso, como as alterações bruscas de frequência cardíaca, aumento da pressão arterial e dos níveis de lactato sanguíneo levaram a ocorrência de sintomas desagradáveis similares aos de ataque de pânico, desistências do programa ou ataque de pânico propriamente dito segundo relatam alguns estudos.

Um estilo de vida fisicamente ativo aumenta a disposição e a sensação de bem estar, melhora a qualidade de vida e a função cognitiva e está associada a um menor risco de declínio cognitivo e demência.

Diversos estudos apontam que diferentes tipos de atividade física sistematizada (com e sem estimulação cognitiva) são suficientes para manter ou mesmo melhorar temporariamente funções cognitivas de idosos com doença de Alzheimer.

Contudo, ainda não estabeleceu um protocolo de recomendações a respeito do tipo e intensidade da atividade física sistematizada necessária para produzir benefícios no funcionamento cognitivo e nem estão totalmente esclarecidas as funções cognitivas mais sensíveis ao exercício físico.

Idosos sedentários podem perder algumas de suas capacidades intelectuais; portanto, estímulos como exercícios são importantes, a fim de proteger o intelecto contra deterioração. Assim sendo, se exercícios atuam sobre a plasticidade neural, e ela ainda existe em idosos mesmo com doença de Alzheimer, exercícios cognitivos feitos na reabilitação podem agir positivamente no cérebro desses pacientes.

Cada componente da aptidão física (aptidão cardiorrespiratória, força e resistência muscular, composição corporal, flexibilidade e aptidão neuromotora) interfere nos aspetos da saúde. Existem na literatura dados quantitativos sobre as relações entre exercícios e saúde em função da melhoria dos componentes da aptidão física, sendo a maioria dos dados disponíveis sobre a composição corporal e aptidão cardiorrespiratória.

O excesso de peso corporal e a obesidade abdominal estão associados com o aumento do risco de resultados adversos para a saúde, enquanto a maior massa livre de gordura está associada a um menor risco de mortalidade por qualquer causa.

Altos níveis de aptidão cardiorrespiratória e muscular também estão associados a menores riscos para uma saúde.

Existem relações entre aptidão cardiorrespiratória, fatores de risco biológicos, e os resultados clínicos da saúde: adultos aparentemente saudáveis de meia idade e idosos com maior aptidão cardiorrespiratória e aqueles que melhoraram o condicionamento físico ao longo do tempo têm menores possibilidades de desenvolverem doenças cardiovasculares e menores incidências à mortalidade e morbilidade.

Uma melhor aptidão cardiorrespiratória também está associada a uma redução do risco clínico de doenças pré-existentes.

O nível mínimo de aptidão cardiorrespiratória necessário para benefício de saúde pode ser diferente para homens e mulheres e para adultos jovens e idosos. Isso ocorre porque o desenvolvimento da aptidão cardiorrespiratória é diferente entre homens e mulheres saudáveis e um declínio na aptidão cardiorrespiratória com o avançar da idade não é linear, quando não acompanhado por um programa de exercício físico regular.

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Fonte: www.educacaofisica.org

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