110 metros com barreiras – atletismo master

Fui despertado para essa prova do atletismo no ano de 1989, de uma maneira inusitada, nas competições da 3a. Brigada de Cavalaria Mecanizada. Na época, eu servia na 2a. Bateria de Artilharia Antiaérea, em Santana do Livramento-RS, e uma das minhas incumbências era a de preparar a equipe de atletismo do Quartel para as competições da Brigada. Na época, eu já competia pela Subunidade nos 100m, no revezamento 4x100m e no salto em distância. Havia logrado, no ano anterior, uma medalha de bronze no revezamento e um modesto 5. lugar no salto em distância.

Um certo dia, o Comandante da Subunidade me convocou à sua sala e me informou que havia sido incluída uma nova prova na competição de atletismo da Brigada, os 110 metros com barreiras, e que eu deveria selecionar e treinar dois militares para serem inscritos na prova.

Eu já tinha visto algumas provas com barreiras nas Olimpíadas Internas da Academia Militar, mas os meus conhecimentos sobre a modalidade eram muito superficiais. Naquela época, a internet não era de acesso popular, e a minha fonte de pesquisa sobre as técnicas da prova se resumia a um manual de atletismo do Exército. O manual detalhava as características da prova e indicava que a seleção de barreiristas deveria ser feita prioritariamente com atletas velocistas, com características pessoais de alta flexibilidade, reflexos apurados e muita força. Descobri ainda que deveriam ser privilegiados os atletas de estatura alta por possibilitar uma maior facilidade na correta técnica de transposição dos obstáculos. É óbvio que dentre os velocistas que eu dispunha, os de baixa estatura foram sumariamente cortados. Acabei por ficar com três soldados para iniciar os treinamentos e a posterior seleção.

O próximo passo foi providenciar a confecção das barreiras de treino, que foram improvisadas com a ajuda do carpinteiro do quartel, com o material disponível.

Aí começaram as dificuldades: por mais que eu transmitisse os detalhes da técnica de transposição das barreiras, em conformidade com o manual, a teoria se mostrou insuficiente. A solução que encontrei foi mostrar na prática, ou seja, tive que aprender para demonstrar-lhes, e os treinos começaram a fluir.

E com o passar das semanas, e com a proximidade da competição, percebi que eu estava realizando a passagem das sucessivas barreiras com mais desenvoltura e rapidez que os meus pupilos. Resolvi, depois de alguma insegurança pessoal, incluir-me entre os dois selecionados para a prova.

A minha insegurança era fomentada pelas características da prova. Afinal, uma prova de velocidade em que se tinha que transpor dez barreiras de 1,067 m (descubra o porquê dessa altura em http://pt.wikipedia.org/wiki/110_metros_com_barreiras) era mais que um desafio. Estava ciente que era uma prova, por suas nuances, sujeita a incidentes e que enfrentaria os competentes atletas dos três Regimentos de Cavalaria e do Grupo de Artilharia que tradicionalmente “papavam” as medalhas e os  melhores resultados no atletismo, e só deixavam as migalhas para as outras duas unidades e três subunidades participantes da competição.

Bem, para encurtar a história, que já anda meio longa, terminei conquistando a medalha de ouro na prova, e causei algum espanto entre os técnicos e competidores da Brigada, que se questionavam como um atleta de uma subunidade sem tradição em vitórias tinha vencido a prova de 110 metros com barreiras

E naquele ano, o que para mim foi inicialmente um grande desafio, tornou-se numa das paixões em minha senda no atletismo. Uma paixão à primeira queda, que felizmente não foram muitas, e nunca em provas oficiais.

Passadas mais de duas décadas, descobri a existência de competições de atletismo master, para competidores acima de 35 anos, divididos em faixas de idade de cinco em cinco anos para fim de classificação nas provas. E reacendeu em mim o sonho de voltar a competir e enfrentar as desafiadoras barreiras.

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