A Equipe Hoyt – Uma História de superação e amor

Vale a pena conhecer essa história. Ou rever, para aqueles que já a conhecem.

Tudo começou no estado americano de Massachussets, há 48 anos, quando Rick foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o parto, ficando com uma grave lesão cerebral e incapacitado de controlar os membros do corpo.

— Ele irá vegetar pelo resto da vida — disse o médico para Dick e sua esposa Judy, quando Rick tinha nove meses. — Vocês deviam interná-lo em uma instituição. Mas o casal não aceitou a sugestão e decidiu educá-lo em casa da forma mais normal possível. Dick e Judy levaram Rick a praticar trenó e natação, e até lhe ensinaram o alfabeto e palavras básicas, como qualquer outra criança.

Quando Rick fez 11 anos, eles o levaram ao departamento de engenharia da Tufts University e perguntaram se havia algum jeito do garoto se comunicar. — De jeito nenhum — disseram a Dick — Seu cérebro não tem atividade alguma. — Conte uma piada para ele — Dick desafiou. Eles contaram e Rick riu. Na verdade tinha muita coisa acontecendo no seu cérebro.

A família então decidiu usar 5 mil dólares guardados e conseguiu, com o apoio de um grupo qualificado de engenheiros da universidade, que fosse construido um computador interativo, onde Rick podia escrever na tela com pequenos movimentos de sua cabeça na sua cadeira adaptada. Assim, Rick finalmente foi capaz de se comunicar. Primeiras palavras? “Go Bruins!”, o grito da torcida do Boston Bruins, que estava nas finais da Stanley Cup naquela temporada. Ficou claro, a partir daquele momento, que Rick amava esportes.

Em 1975, Rick foi finalmente admitido numa escola pública. Nessa escola, depois que um estudante ficou paraplégico em um acidente, a diretoria decidiu organizar uma corrida beneficente para ajudá-lo. Rick digitou: “Papai, quero participar”. Como poderia Dick, que se considerava a si mesmo um “leitão”, que nunca tinha corrido mais que uma milha de cada vez, empurrar seu filho nas 5 milhas (8 quilômetros) da prova? Mesmo assim ele encarou o desafio.

 — Daquela vez eu fui o inválido — lembra Dick — Fiquei com dores durante duas semanas. Aquilo mudou a vida de Rick. Ele digitou em seu computador: — Papai, quando você corria eu me sentia como se não fosse mais um portador de deficiência.

Aquilo deu uma nova motivação à vida de Dick. Ele ficou obcecado por dar a Rick essa sensação tantas vezes quanto pudesse. Começou a se dedicar tanto para entrar em forma que logo ele e Rick estavam prontos para tentar a Maratona de Boston, em 1979. — Impossível! — disse um dos organizadores da corrida. Pai e filho não eram um só corredor e também não se enquadravam na categoria dos corredores em cadeira de rodas. Durante alguns anos Dick e Rick simplesmente entraram na multidão, sem estarem inscritos, e correram assim mesmo.

Finalmente, encontraram uma forma de entrar oficialmente na corrida: Em 1983 eles correram tanto em outra maratona, que seu tempo permitia qualificá-los para participar da maratona de Boston no ano seguinte. E a organização finalmente os aceitou.

Depois, alguém sugeriu que tentassem uma prova de Triatlon. Como poderia alguém que nunca soube nadar e não andava de bicicleta desde os seis anos de idade rebocar seu filho de 50 quilos em um triatlon? Mesmo assim Dick tentou.

Hoje eles já participaram de 216 triatlons, inclusive seis cansativos Ironmans de 15 horas no Havaí (3,8 Km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida). Deve ser demais para alguém bem mais jovem ser ultrapassado por um senhor rebocando um adulto em um barquinho, você não acha? Então por que Dick não competia sozinho? — De jeito nenhum — ele diz. Dick faz isso apenas pela sensação que Rick pode ter e pelo prazer que ele demonstra, com seu largo sorriso, enquanto correm, nadam e pedalam juntos.

Atualmente, aos 70 e 48 anos de idade respectivamente, Dick e Rick já completaram mais de 1.000 provas e por 27 vezes a Maratona de Boston, a corrida predileta deles. Seu melhor tempo na prova? Duas horas e 40 minutos em 1992, apenas 36 minutos a mais que o recorde mundial que, caso você não saiba, foi batido por um atleta excepcional, e que não empurrava ninguém numa cadeira de rodas enquanto corria.

— Não há dúvida — digita Rick — Meu pai é o Pai do Século.

E Dick também ganhou algo com isso. Há alguns anos ele teve um leve ataque cardíaco durante uma corrida. Após avaliação, os médicos constataram que uma de suas artérias estava 95% entupida. Os médicos disseram que se ele não tivesse se dedicado tanto para entrar em forma, o provável é que já teria morrido uns 15 anos antes. De certa forma Dick e Rick salvaram a vida um do outro.

Rick, que hoje tem seu próprio apartamento (onde dispõe de cuidados médicos) e trabalha em Boston, e Dick, que se aposentou em 1995 como Tenente Coronel da Guarda Nacional Aérea, e mora em Holland, Massachussets, sempre acham um jeito de ficarem juntos. Eles fazem palestras por todo o país e sempre participam de alguma cansativa prova nos finais de semana.

Perguntado a Rick se havia mais algum sonho a realizar, ele respondeu:

— Eu gostaria de um dia poder empurrar meu pai na cadeira pelo menos uma vez.

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